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A origem do coaching

EM: Coaching.24 AGOSTO, 2017
A origem do coaching

Para vos falar sobre a origem do coaching, sugiro começarmos por fazer uma viagem à Grécia e recuarmos no tempo cerca de 2400 anos. Podemos então subir aos ombros dos gigantes Sócrates, Platão e Aristóteles!

 

Embora não utilizassem a palavra “coaching”, os seus pressupostos são os do atual coaching, podendo assim considerar-se que é nestes filósofos que estão as suas raízes mais profundas. Sócrates, Platão e Aristóteles tinham um objetivo comum, que é o mesmo do coaching: viver a vida mais digna de ser vivida.

Platão considerava que a procura de uma vida plena como pessoa, com o que isso supõe para a felicidade própria e a dos outros, era muito difícil de fazer sozinho. Dizia que era muito melhor quando se tinha «alguém» — atualmente, o coach — que nos ajudasse a conhecer melhor e a desenvolver os hábitos que permitem a sua realização. A conceção platónica do que é a educação — e que nos nossos dias é o coaching— baseia-se mais em tirar do que em pôr conhecimento. Cada homem possui dentro de si mesmo uma parte da verdade, mas para poder descobri-la requer alguém que lhe dê a mão.

De acordo com Aristóteles, a verdadeira felicidade é alcançada quando as pessoas desenvolvem todas as suas capacidades. O nosso objetivo de vida é perseguir o bem-estar através da prática e do desenvolvimento de virtudes, ou seja, dos nossos valores e modelos de comportamento. Aristóteles escreveu que uma coisa é «o que somos», enquanto outra, bem diferente, é o que podemos «chegar a ser». No coaching, o foco também é que o coachee descubra e desenvolva as suas capacidades e que, assim, tenha uma vida feliz.

Sócrates criou o método socrático definido por questões abertas para estimular o insight e a autoconsciência. Este método consiste em fazer uso de perguntas simples e quase ingénuas que têm por objetivo revelar as contradições presentes na atual forma de pensar do outro e, assim, auxiliá-lo a redefinir os valores, aprendendo a pensar por si mesmo. Ele fazia os seus interlocutores discernirem por conta própria as falhas e fraquezas do seu raciocínio. No coaching, a metodologia de base também passa pelas perguntas abertas, com o objetivo de o coachee descobrir a sua verdade por si próprio, conectar-se com a sua essência, extraindo o seu melhor e ampliando os seus horizontes.

Embora estes filósofos tenham sido bastante reconhecidos ao longo da história, a aplicação destas ideias teve pouca expressão até há poucos anos.

Mas, antes disso, façamos uma nova viagem para descobrirmos a primeira utilização da palavra “coaching”. Vamos então para o século xviii, para Oxford. Nessa altura, os nobres universitários de Inglaterra iam para as aulas nas suas carruagens, conduzidos por cocheiros chamados “coachs”. Por volta de 1830, o termo “coach” passa a ser utilizado informalmente na Universidade de Oxford para denominar o tutor particular, aquele que conduz e prepara os estudantes para os seus exames. Atualmente, usamos o termo coaching também para descrever uma viagem, mas que é muito mais abrangente, já que leva o coachee a exceder os seus objetivos, visões e sonhos na sua vida pessoal e profissional.

Proponho uma última viagem, agora para Harvard, quarenta anos atrás. Aí, vamos conhecer o que muitos consideram o pai do coaching atual – Timothy Gallwey. Observemos como ele treinava os seus alunos de ténis. Em vez de dar instruções técnicas, ele ajudava o jogador a remover ou a reduzir os obstáculos internos à sua performance. E o jogador passava a ter uma inesperada habilidade natural para aprender! Timothy Gallwey publica então o livro The Inner Game of Tennis, o qual, graças ao seu sucesso fora do mundo do ténis, foi rapidamente seguido por The Inner Game of Golf, Inner Skiing e, mais tarde, por The Inner Game of Work. Esta proposta de mudança de abordagem não foi muito bem recebida pelos professores, pois sentiam-se postos em causa, mas agradou muito aos alunos. Timothy Gallwey estava a salientar a essência do coaching – despertar o potencial das pessoas para maximizar a sua performance. No fundo, seguia a forma natural e inata de aprendermos, que muitas vezes é perturbada pelas instruções que recebemos. Os livros de Tim Gallwey coincidiram com o advento de modelos psicológicos mais humanistas quando comparados com o modelo behaviourista, que pressupunha que os seres humanos eram como uma tábua rasa na qual tudo era impresso pelo exterior. Para Timothy Gallwey, as pessoas são como sementes, cada uma contendo dentro de si todo o potencial para ser uma magnífica árvore. Precisamos de encorajamento e luz para chegar lá, mas a árvore já está dentro de nós.

A passagem do desporto para as empresas foi rápida. John Whitmore, muito conhecido atualmente pelo modelo GROW, foi aprender com Timothy Gallwey e, juntos, criaram The Inner Game in Britain. Aí, os clientes desportistas começaram a perguntar-se se poderiam aplicar o mesmo método nos assuntos das suas empresas, e assim nasce o coaching nas empresas – há cerca de trinta anos.

Desde essa altura, podemos ver que o coaching tem-se desenvolvido de modo exponencial e alargado em vários contextos. Os coaches foram buscar vários conceitos e técnicas à psicoterapia sistémica, nomeadamente aos trabalhos da equipa de Palo Alto e a Milton Erickson, e ainda às psicoterapias cognitiva e comportamental, também centradas no presente e futuro, e com foco em soluções rápidas. A Programação Neurolinguística criada por Bandler e Grinder é também uma fonte de numerosas técnicas utilizadas no coaching. A ICF – International Coach Federation – tem profissionalizado esta atividade desde há vinte anos, definindo as boas práticas, o código de ética e as competências necessárias para um coach profissional.

 


Adaptação do 1º capitulo do livro: "Coaching: Ir mais longe cá dentro", ICF Portugal (International Coach Federation), co-autora Isabel Freire de Andrade