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O que não é o Coaching

EM: Coaching.29 AGOSTO, 2017
O que não é o Coaching

A condução de um processo de coaching parece ser muito simples. No entanto, na supervisão de coachings, verificamos que a maioria dos coaches não segue todos estes princípios, acabando por fazer mentoring, terapia, consultadoria ou formação.

Uma vez que o coaching é ainda muito recente como disciplina autónoma e pouco conhecido do público em geral, as expectativas dos clientes também ajudam a que o coach se esqueça de cumprir os princípios do coaching. Com efeito, nas empresas, os clientes têm muitas vezes a expectativa de que o coaching seja sinónimo de mentoring, consultadoria ou formação. As pessoas que pedem coaching de vida têm também muitas vezes a expectativa de que seja um processo parecido com a psicoterapia.

Na realidade, em todas estas atividades, há pelo menos dois pontos em comum com o coaching:

  • Existe uma relação de suporte do profissional para o indivíduo ou equipa em desenvolvimento.
  • O objetivo é melhorar a performance.

No entanto, os quatro princípios descritos anteriormente não costumam ser utilizados nestas atividades, embora atualmente já se integrem as técnicas de coaching em todas elas.

 

Analisemos então as diferenças do coaching com outras profissões de suporte pessoal ou organizacional, de maneira a perceber melhor o que não é o coaching.

Terapia: A terapia lida com disfunções e conflitos dentro de um indivíduo, ou nos seus relacionamentos, e com a cura do sofrimento. O foco é sobre como lidar de uma forma mais saudável com as atuais dificuldades emocionais decorrentes do seu passado e melhorar o funcionamento psicológico geral. No coaching, por outro lado, o foco é posto no sucesso pessoal ou profissional e, para isso, apoia o crescimento pessoal e profissional com base na mudança iniciada pelo próprio. Em vez de se centrar no passado, trabalha o presente, projetando o futuro (Lages et al., 2007). Em vez de se centrar no sofrimento, centra-se na criação de estratégias para atingir as metas específicas. A ênfase no coaching está na ação, na responsabilidade e no seguir em frente.

Consultadoria: Os consultores são contratados devido à sua expertise. O pressuposto é de que o consultor irá diagnosticar os problemas e prescrever e, às vezes, implementar soluções. Com o coaching, o pressuposto é de que os indivíduos são capazes de gerar as suas próprias soluções, e o papel do coach é dar suporte e facilitar essa descoberta. A consultadoria está também mais focada na organização como um todo e não nos indivíduos em particular, enquanto o coaching se foca no indivíduo ou na equipa, ainda que seja para resolver problemas organizacionais.

Mentoring: Um mentor é um especialista que dá sabedoria e orientação com base na sua própria experiência. O mentoring pode incluir a metodologia de aconselhamento e a metodologia de coaching. O coaching, pelo contrário, não inclui aconselhamento e concentra-se na forma como o indivíduo ou a equipa podem definir e alcançar os seus próprios objetivos. O efeito do coaching não é, assim, dependente de um profissional mais experiente que transmite o seu conhecimento. O coaching requer expertise em coaching, mas não no assunto que se está a tratar. Essa é uma das suas maiores forças, pois fortalece a confiança do coachee em si próprio.

Formação: Os programas de formação são baseados em objetivos definidos pelo formador, atingidos através de um caminho linear e preestabelecido de aprendizagem. Pelo contrário, os objetivos no coaching são definidos pelo coachee, e o caminho para lá chegar é menos linear, sendo também estabelecido pelo coachee. Além disso, segundo vários autores (Krausz, 2007; O’Connor e Lages, 2007; Rego et al., 2007), a formação assenta num processo de aprendizagem e aquisição de conhecimentos, enquanto o coaching visa o desenvolvimento de competências de inteligência emocional e é um processo de mudança do indivíduo.

Treino desportivo: Apesar de se utilizar a palavra coach para denominar o treinador desportivo, e de o coaching ter tido o seu início neste meio, no desporto, a prática mais seguida não é a de coaching, mas sim a de professor. Geralmente, o treinador desportivo é visto como um especialista que orienta e dirige o comportamento do indivíduo ou da equipa com base na sua maior experiência e conhecimento. Os treinadores desportivos tendem ainda a concentrar-se nos comportamentos que estão a ser mal executados, ao contrário dos coaches, que se concentram na identificação de oportunidades de desenvolvimento baseadas nas forças do indivíduo.

 

Conclusão

Como vimos na nossa viagem ao longo do tempo, os conceitos de coaching emergiram em meios onde o conhecimento atingia o seu apogeu: nos filósofos da antiga Grécia, na Universidade de Oxford e em Harvard.

Atualmente, a atividade de coaching está cada vez mais democratizada, sendo utilizada principalmente nas empresas com altos desempenhos, tanto por coaches profissionais como pelas próprias chefias que utilizam o estilo de liderança coaching. Ao longo destes quase quinze anos em que tenho feito coaching, vou-me deslumbrando com a sua expansão em Portugal e no mundo. O coaching é cada vez mais uma forma de se relacionar com o outro, de pensar e de ser. Já se veem professores, pais, médicos e comerciais a usarem quando necessário as competências de coaching e o estilo coaching.

Como diz John Whitmore: “O coaching como uma prática nos negócios está para ficar, embora a palavra possa desaparecer quando os seus valores, crenças, atitudes e comportamentos se tornarem norma para toda a gente.” Estamos curiosos para ver isso  acontecer.

 


Adaptação do 1º capitulo do livro: "Coaching: Ir mais longe cá dentro", ICF Portugal (International Coach Federation), co-autora Isabel Freire de Andrade