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A nossa sobrevivência e o nosso cérebro: A incidência das emoções no mecanismo de fight/flight.

EM: Inteligência Emocional.3 ABRIL, 2019
A nossa sobrevivência e o nosso cérebro:  A incidência das emoções no mecanismo de fight/flight.

Quando pensamos no conceito de “emoções ao rubro”, o cérebro não costuma ser contemplado. Aliás, costumamos pensar nas emoções e nas situações emocionais como o oposto de qualquer racionalidade.

É normal ouvirmos “é tão racional” ou “é tão emocional”, como se um impossibilitasse por completo o outro. Mas isso não é de todo a realidade.

 

A nossa sobrevivência depende das nossas reações emocionais e da sua racionalidade.

Na verdade, as emoções têm um papel muito importante na nossa vida. Elas protegem-nos da realidade. Mas como?

Vamos imaginar certos cenários…

  1. Imagine que é um ser sem qualquer emoção. Não sente alegria, medo, raiva ou surpresa e todas as suas decisões têm uma razão justificável.  
  2. Imagine que é um ser que vive no extremo da emoção – não pensa, apenas reage emocionalmente.

Agora imagine como seria viver desta maneira. Como reagiria ao seu dia-a-dia? Iria sobreviver aos pequenos acontecimentos que compõem a sua vida?

Vamos imaginar o que poderia acontecer:

  1. É convidado para fazer queda livre. Vivendo sem perceção de emoção, que incentivo tem para não saltar de um avião? Não sente medo por si ou pelos outros, por isso o pensamento comum de “seria perigoso” não lhe passaria pela cabeça. Também não teria razão para o fazer, porque qual seria o seu incentivo para tal? 
  2. Ouve um barulho incompreensível na sala ao lado sem ter a capacidade de pensar que pode ter sido o vento a bater na janela, ou o seu gato a roçar na porta. O mais certo era ser assaltado pelas suas emoções extremas e viver em ansiedade e pânico profundo, colocando-se a si e outros em perigo.

 

Emoção VS Razão - O ato de equilíbrio do dia-a-dia

Imaginemos agora uma outra situação:

O que faz?

Não é um ser racional que apenas encolheria os ombros, nem um ser emocional que entraria em pânico profundo.

Nós somos ambos, por isso é normal o nosso comportamento ser uma combinação dos dois: sentimos surpresa ao parar, algum receio – porque é que parámos? – e desconforto. Mas não nos deixamos levar por esses sentimentos, porque enquanto seres também racionais conseguimos levar a cabo as ações necessárias para garantir a nossa segurança – carregar no botão de emergência e pedir ajuda.

Mas há momentos onde essa fusão não é possível, onde a racionalidade nos escapa entre os dedos e em que vivemos os momentos emocionalmente. Um exemplo perfeito dessa situação ocorre nas fobias. Alguém que sofra de aracnofobia (fobia de aranhas) não se irá importar se a aranha tem 5 milímetros ou não é venenosa e continuará a reagir com pânico tentando fugir o mais depressa possível da mesma.

Mas há exceções? Claro! Se houver uma razão para ultrapassar a fobia, irá fazê-lo. Por exemplo, se houver uma criança em perigo do outro lado da aranha, mesmo que sofra de aracnofobia, irá pensar duas vezes antes de fugir, dando tempo para o seu lado racional começar a argumentar e levando-o a salvar a criança.

 

Como surgem estas emoções?

O cérebro primitivo é o responsável pela reação inicial a qualquer situação. Esta concentra-se no sistema límbico e mais especificamente na amígdala. É este pequeno nódulo, no interior do cérebro, que é responsável por aquele primeiro momento de pausa quando se depara com um evento, e é acometido pela emoção antes sequer de perceber se é uma situação merecedora de tal.

Se estiver a pensar: “Porquê? Isso parece contraprodutivo” então vamos examinar a razão. Imaginemos uma ameaça imediata. Terá tempo para pensar claramente nos passos a tomar? Ou será melhor ter “pré-instalado” um sistema que o faça reagir, levando-o à sua sobrevivência?

É aqui que nasce o mecanismo de fight/flight. A amígdala é a responsável pela reação imediata às situações que o levaram a fugir (flight) – como num incêndio que o coloque em perigo; ou a lutar (fight) – como na sua reação de “vou provar que consigo” quando alguém diz que não consegue fazer algo.

Todas as emoções têm uma razão. Até mesmo aquelas situações em que mais tarde pensámos: “Porque é que fiz isso? Que vergonha!”, tiveram uma razão. Sentimos alegria e satisfação com os momentos que asseguram a nossa sobrevivência, medo e receio com aqueles que a ameaçam. O nosso cérebro está programado para o nosso sucesso. Está programado para a nossa proteção.

Assim, respeite as suas reações, elas estão a ajudá-lo.

 

Inês Cabral | Project Manager