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Como Desenvolver as 7 capacidades do Pensamento Crítico

EM: Liderança.22 FEVEREIRO, 2022
Como Desenvolver as 7 capacidades do Pensamento Crítico

Segundo o Relatório do Fórum Económico Mundial, o Pensamento Crítico é a 4ª competência mais importante até 2025.

Até agora as pessoas que têm pensamento crítico já se destacam, pois tomam decisões mais acertadas, são mais eloquentes na sua argumentação, conseguindo ser mais credíveis e evoluir enquanto pessoas e profissionais.

Na Era Digital, com o aumento de informação disponível, tornou-se ainda mais importante saber distinguir o que é fiável e o que são fake news. Com o aumento da competitividade e da complexidade dos serviços e produtos é também necessário estar sempre a aprender e a inovar. O desenvolvimento do Pensamento Crítico está assim a tornar-se cada vez mais uma prioridade.

Preparámos este artigo para ajudá-lo a desenvolver o Pensamento Crítico. Veja os tópicos que preparámos para si:

  1. Mas afinal, o que é o Pensamento Crítico?
  2. A História do Pensamento Crítico
  3. Vantagens do Pensamento Crítico na Liderança
  4. Autodiagnóstico de Pensamento Crítico
  5. Dicas para Desenvolver as 7 capacidades do Pensamento Crítico

 

Mas afinal, o que é o Pensamento Crítico?

“Critical thinking is thinking about your thinking, while you’re thinking, in order to make thinking better”

Richard Paul

O Pensamento Crítico é uma competência cognitiva, resultante da junção de skills cognitivas e disposições. Define-se pela capacidade de analisar e avaliar a informação existente a respeito de um dado assunto, tentando esclarecer a veracidade da informação e chegar a uma ideia justificada sobre ela, ignorando possíveis viesses externos.

Com isso, procura-se a ideia justificada da realidade e não aceitar cegamente o que os outros nos dizem.

Implica que se tenha a capacidade para fazer escolhas complexas e resolver problemas de formas inovadoras, integrando o pensamento existente com novos conhecimentos e aplicando-o em diversos contextos. 

O Pensamento Crítico tem subjacente 7 capacidades:

 

“You must be willing to say, “I don’t Know” and then be willing to do something to change that.”

 

Segundo a Taxonomia de Bloom, existem diferentes tipos de pensamento que implicam diferentes graus de complexidade. Na base está a memorização e no topo está a criação – conseguir conectar o novo conhecimento com o conhecimento adquirido, criando novas soluções. O pensamento critico exige todos estes tipos de pensamento. Pensar criticamente requer fazer com que o cérebro aprenda ativamente ao invés de ser apenas um armazenamento passivo de informações.

O Pensamento Crítico está intimamente relacionado com outras capacidades, como criatividade, lógica, intuição, permitindo-nos desenvolver novas estratégias e formas de ver e perceber o mundo.

Pensar criticamente implica estar consciente de si, dos seus pensamentos e enviesamentos, bem como captar as necessidades dos outros, e ajudá-los a transformá-las em valor acrescentado.

Uma reflexão crítica é um processo que requer uma descentralização do ser, o que implica autoquestionamento. Seja sobre um assunto, problemática, ou até sobre nós mesmos, acaba por acarretar desconforto. A autorreflexão não é uma tarefa fácil, pois implica questionar os seus métodos, as suas “certezas” e as suas “verdades”.

É através dessa tomada de consciência e saída da zona de conforto que advém o crescimento e aprendizagem.

 

A História do Pensamento Crítico

“O Pensamento Crítico é ter o desejo de buscar, a paciência para duvidar, o empenho para meditar, a lentidão para afirmar, a disposição para considerar, o cuidado para ordenar e o ódio por qualquer tipo de impostura.”

Francis Bacon (1561-1626)

 

O senso comum tende a aliar o ser cético a ser indeciso, indiferente, hesitante, inseguro, irresoluto. Na verdade, o ceticismo é a base do Pensamento Crítico e pode tornar-se numa ferramenta valiosa para desenvolver essa habilidade.

Como Descartes afirmou no “Discurso do Método” (1637), a dúvida metódica é o meio para chegar à razão. Foi na Grécia Antiga que este conceito nasceu, subjacente ao estudo da filosofia. Mesmo sem o saber na altura, Sócrates viria a ser considerado o Fundador do Pensamento Crítico, pois este conceito só foi cunhado como tal no século XX.

Sócrates deixou presente o Questionamento Socrático - forma de questionamento disciplinado e sistemático que permite elevar o pensamento lógico, expondo a lógica por detrás do pensamento de alguém. Consiste numa discussão levada a cabo por uma pessoa que não faz nada além de perguntas, e onde cada pergunta é baseada na resposta dada à pergunta anterior. 

Devido à sua antiguidade, o conceito foi evoluindo em termos teóricos e práticos moldando-se a múltiplos contextos. Inicialmente a abordagem filosófica conceptualizava um pensador crítico hipotético e idealizado, enumerando qualidades e características deste perfil ao invés de comportamentos específicos.

Mais tarde, a Psicologia Cognitiva caracteriza o pensador crítico através de skills mensuráveis, reforçando que esta é uma competência que pode ser aprendida e melhorada.

 

Vantagens do Pensamento Crítico

O desenvolvimento da capacidade de pensar criticamente permite a eficácia da reflexão e uma visão mais objetiva. Estas capacidades são o que nos distingue das máquinas, e por isso, a “mina de ouro” que se deve investir para ganhar vantagem competitiva no mercado.

Ter uma boa capacidade de Pensamento Crítico ajuda também a evitar o conformismo e a avançarmos como seres humanos.

Os efeitos práticos de desenvolver o Pensamento Crítico:

 

Autodiagnóstico de Pensamento Crítico 

A Universidade de Manchester criou para os seus alunos uma versão curta da autoavaliação de Pensamento Crítico. Numa escala de 1 a 5, onde 1 é “Nunca” e 5 é “Sempre” responda a cada uma das afirmações. Se responder a “Sempre” a maior parte das vezes, podemos dizer que é um pensador crítico nato. Caso tenha respondido “Não” ou “Nem sempre” não se preocupe, há sempre possibilidade de melhorar e neste artigo mostramos-lhe como com dicas práticas.

  1. Eu procuro evidências antes de acreditar em afirmações;
  2. Eu considero os problemas de diferentes perspetivas;
  3. Sinto-me confiante para apresentar os meus próprios argumentos, mesmo quando desafiam os pontos de vista dos outros;
  4. Eu procuro ativamente evidências que possam contrariar o que já sei;
  5. As minhas opiniões são influenciadas por evidências, e não apenas por experiência pessoal e emoção;
  6. Se eu não tiver a certeza sobre algo, vou pesquisar para descobrir mais;
  7. Eu sei como procurar informações confiáveis para desenvolver o meu conhecimento de um tópico;
  8. Com base na informação consigo retirar conclusões lógicas;
  9. Consigo resolver problemas de forma sistemática (definir o problema, identificar as causas priorizar etc.), ou seja, sem tomar decisões somente pela intuição.

 

Se respondeu não ou “nem sempre” a mais de metade das afirmações no autodiagnóstico, então significa que tem uma grande janela de aprendizagem e consequentemente um grande potencial para melhorar.

 

Dicas para Desenvolver as 7 competências do Pensamento Crítico

Para se ser bom em Pensamento críticos há que desenvolver as 7 competências que lhe estão subjacentes

  1. Curiosidade;
  2. Capacidade de olhar para um problema sob diferentes prismas.
  3. Capacidade argumentar;
  4. Mente-aberta; Flexibilidade;
  5. Imparcialidade;
  6. Análise lógica e factual e sistemática
  7. Fazer inferências

 

Adote estas dicas no seu dia-a-dia e conte-nos os efeitos que teve na sua vida.

1. Para desenvolver a curiosidade

Concentre-se em objetivos, e não em obstáculos - Focar-se nos objetivos vai ajudá-lo a focar-se em soluções e alternativas.

 

2. Para desenvolver a capacidade de olhar para um problema sob diferentes prismas

Treine a empatia - Ser capaz de se colocar no lugar do outro torna mais fácil entender como eles chegaram às conclusões a que chegaram. Mesmo que não perceba o ponto de vista do outro, tente perceber o porquê de ele pensar da maneira que pensa e respeite sempre a individualidade.

 

3. Para desenvolver a capacidade de argumentar…

Participe ativamente em debates e prepare-se pesquisando e comparando argumentos. Procure sempre pesquisar fundamentos (fidedignos) que neguem ou corroborem os seus argumentos. Esteja aberto a procurar informação que vá contra as suas ideias.

 

4. Para desenvolver a mente-aberta e flexibilidade…

Ao manter a mente aberta está a manter um pensamento flexível, o que significa que está apto para mudá-lo ou adaptá-lo caso surjam complementos ou sugestões melhores. Pode desenvolver isto tendo debates amigáveis com pessoas que sabe que têm uma opinião diferente da sua. Tente estar aberto aos seus argumentos e pontos de vista e não julgar.

Questione estereótipos. Pergunte a si mesmo de onde vêm e porque os tem. Grande parte das vezes os estereótipos não passam de uma generalização exacerbada, e estas são palas para os nossos olhos.

5. Imparcialidade;

Para eliminar qualquer preconceito, faça de advogado do diabo e construa um caso contra a sua decisão

Pratique o pensamento equilibrado. Este pensamento implica superar a impulsividade e as reações automáticas, dedicando alguns momentos para refletir antes de tomar uma atitude. Pense duas vezes antes de agir. Pratique o conhecimento de si mesmo e dos outros. Aprenda a perceber e a dominar as suas emoções, observe e analise o seu próprio comportamento, arranje formas de reagir mais “saudáveis” e adequadas. Para não se deixar levar pelas emoções.

 

6. Para desenvolver a análise lógica, factual e sistemática…

Se estiver paralisado para tomar uma decisão, não limite as suas opções artificialmente. Normalmente pensamos em decisões como se fossem binárias. Ao pensar nas decisões como algo binário – preto ou branco – está a perder um leque de alternativas. Ponha em “cima da mesa” todas as opções, mesmo aquelas que pareçam absurdas. Analise melhor as várias opções para encontrar a melhor solução.

Crie uma série de experiências para validar se o resultado é desejável. Em muitas situações, é melhor “colocar o pé na água” antes de se comprometer completamente. Este é um processo de validação, onde se testa ideias em pequena escala antes de se comprometer a 100% com qualquer decisão

Para ter alguma perspetiva, concentre-se no futuro. Tome alguma distância emocional, imaginando as potenciais implicações e consequências que a decisão terá no futuro, delineando todas as possibilidades

 

7. Para fazer inferências…

Tente ouvir a sua intuição. Às vezes a nossa mente age de uma forma concreta que não podemos explicar racionalmente. A intuição muitas vezes é o resultado do processamento inconsciente de informações, ou seja, a realização de uma análise interna das informações que não temos processadas a um nível inconsciente. Pode ouvir a sua intuição estando atento aos pensamentos que lhe vêm à consciência e anotando-os num caderno.

 

Conclusão

Exercitar o Pensamento Crítico é essencial para quem deseja aperfeiçoar as suas competências. Esta abordagem permite ter opiniões bem formadas e tomadas de decisão mais assertivas. Ao desenvolver o Pensamento Critico estará a acrescentar potencial e valor pessoal, visto esta ser uma das mais importantes competências a desenvolver até 2025. Contacte-nos para mais informações.

 

Sara Oliveira


Bibliografia

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