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Promover a Inteligência Emocional do seu filho no 5º ano

EM: No bully.16 SETEMBRO, 2019
Promover a Inteligência Emocional do seu filho no 5º ano

Voltar à escola depois de mais de 2 meses de férias pode ser muito entusiasmante para alguns alunos, mas muito stressante para outros - especialmente se vão mudar de escola, ciclo ou turma! Tanta mudança de um dia para o outro. Para que tudo corra melhor, é essencial promover a Inteligência Emocional do seu filho.

 

A passagem para o 5º ano é um momento crítico no crescimento de uma criança.

A maioria muda de escola, e quer vá com amigos ou sozinho, as preocupações podem encher-lhes as cabeças: “Será que vou conseguir fazer amigos?”, “Será que vou ter boas notas?”, “Agora vou ser dos mais novos, como me vão tratar os alunos mais crescidos?”, “Aposto que os professores não vão ser nossos amigos como na Primária…”, “Com tantas aulas e TPC’s, quando vou ter tempo para brincar?”. Estas questões evitam que a sua Inteligência Emocional se desenvolva da melhor forma possível.

 

Para além das mudanças no exterior, os seus interiores também estão em mudança.

A puberdade começa a chegar, para uns mais cedo para outros mais tarde, a curiosidade pela sexualidade tende a surgir, as paixonetas e os namoricos tornam-se tema central de conversa. Com isto surge também a necessidade de pertencer a um grupo, de ser popular, de encontrar o seu lugar na “hierarquia social”. E a partir daí, os comportamentos de bullying podem instalar-se sem ninguém dar conta. Ter uma Inteligência Emocional forte é essencial nesta fase.

Calma, não estou a tentar assustar os pais! Mas se pensavam que os filhos já tinham entrado em “piloto automático” e só precisavam de os lembrar de fazer os trabalhos de casa, estão muito enganados! Esta é uma idade fulcral, na qual os vossos filhos vão precisar de apoio e acompanhamento, mesmo que pareça que já não querem. Neste período de transição da infância para a adolescência, eles vão ter muitas dúvidas, testar muitos limites e errar muito! E é essencial ajudá-los a criar hábitos saudáveis e relações positivas, ao promover a sua Inteligência Emocional.

 

Cada criança passa esta fase de forma diferente.

Para alguns, são os melhores anos da juventude, para outros são os anos negros que preferem esquecer. Para mim, não foram anos fáceis, daí saber o quão importante é o apoio dos pais nesta fase. Mudei de escola sozinha, para uma turma onde quase todos já tinha grupos formados. Não me identifiquei à partida com os meus colegas, e demorei muito a encontrar o meu lugar.

Comecei a relacionar com um grupo de colegas de outra turma, mas também aí me sentia desconfortável, as relações eram tóxicas e o bullying era dissimulado, mas sempre presente. Acabei por me dedicar à escola e concentrar-me em ter boas notas, o que me ajudou a lidar com as frustrações da vida social. Só mais tarde consegui encontrar boas amizades e pessoas que gostavam de mim na minha turma. Daí saber o quão importe é a Inteligência Emocional para esta fase.

 

Uma idade de aumento do bullying.

Agora, no meu trabalho como formadora da No Bully Portugal, passo tempo com muitos alunos de 5º ano e de outras idades a trabalhar a sua Inteligência Emocional. Vejo facilmente situações semelhantes, onde certos alunos são excluídos por serem novos ou diferentes, onde os colegas mais velhos se aproveitam dos novos para lhes pagarem o lanche ou ficar-lhes com a bola de futebol, onde as agressões e os insultos aos mais fracos são recorrentes.

Apesar de tudo isto que observo, vejo também um grande potencial de bondade, afeto, respeito e amizade nestes miúdos, ou seja, de Inteligência Emocional! Mas tal potencial só é libertado se a sua envolvente for positiva, e os pais são os primeiros exemplos e pontos de apoio.

 

5 dicas para promover a Inteligência Emocional do seu filho e apoiá-lo nesta fase:

 

  1. Conversar sobre as suas expectativas e receios - por muito que queiramos generalizar, cada criança é única, só se conversar com o seu filho é que vai saber o que lhe vai na cabeça. Tente ser um "Coach" para o seu filho - sem ser demasiado inquisitivo, pergunte-lhe como acha que vai ser este novo ano, se se sente preparado, se tem algo que o preocupe. Temas como as amizades, as aulas, os professores, as atividades extracurriculares, entre outros, podem ser interessantes de explorar. Tente lembrar-se da sua experiência nesta idade, o que o preocupava? O que o ajudou? Este tipo de conversas irão promover a sua Inteligência Emocional.

  2. Relembre-o que pode contar consigo – é sempre um conforto saber que os nossos pais estão lá para nos apoiar quando as coisas não correm bem! Mostre-lhe que pode falar consigo sobre qualquer problema e que o irá ajudar a encontrar uma solução, mesmo quando faz algo de errado. Se ele tiver receio de ser castigado ou duramente repreendido, ele vai preferir não contar, e assim se corta a confiança e a comunicação entre os dois. Com isto não digo que lhe dê uma palmadinha nas costas se ele faltar às aulas sem razão, claro! Mas perceber porque o faz (pode ser por sentir excluído nas aulas, ou para impressionar algum colega, ou por algum professor o tratar menos bem) e encontrar uma forma para ele não o repetir é o mais importante. Sentir este apoio vai reforçar a sua Inteligência Emocional.
  3. Ensine-o a estar em grupo e a escolher bons amigos – “como sei se ele é mesmo meu amigo?”. Nem todos nascemos com a capacidade para fazer amigos por todo o lado em que passamos, alguns precisam de uma ajudinha! Uns pecam pela agressividade e afastam quem poderia ser seu amigo, outros facilmente se tornam submissos e aceitam abusos dos colegas, e há também aqueles que se isolam do mundo e ficam à espera que venham ter com eles. Estes comportamentos não são eternos e podem variar consoante o ambiente em que o seu filho está. Esteja atento a sinais de irritabilidade, tristeza acentuada ou maior agressividade, podem querer dizer que as coisas não estão a correr bem na escola. Pergunte-lhe pelos colegas, com quem ele costuma estar mais, o que gosta de fazer nos intervalos, com quem se senta nas aulas… Fale-lhe do que é um bom amigo e como ser simpático e aberto a conhecer pessoas diferentes de si. Encoraje-o a combinar atividades com os colegas, mas também a saber quando dizer “não” a alguma coisa que não goste. Com isto, irá estar a desenvolver a sua Inteligência Emocional.
  4. Mostre-lhe que aprender é divertido e entusiasmante – ao passar para o 5º ano, a exigência dos professores dá um grande salto, os TPC’s aumentam e o tempo para brincar reduz consideravelmente. “Que seca!” diria a maioria dos miúdos. É verdade, algumas aulas podem ser uma “seca” e ninguém gosta de ter mais trabalho de um dia para o outro. Enquanto é importante o seu filho acompanhar as aulas e não ficar para trás nas matérias, também é benéfico gerir a pressão em casa, aceitar que não é preciso ter 5 a tudo e que haverá disciplinas em que ele terá mais dificuldades. Sentindo-se mais relaxado e à vontade, há mais espaço para explorar as aplicações que as matérias têm na vida real, por exemplo a Matemática nas contas do supermercado, ou as Ciências no parque ao pé de casa, ou o Inglês nos filmes que ele mais gosta - tanta coisa interessante para aprender! Mostre-lhe que ele pode ser bom a praticamente qualquer coisa, basta trabalhar e acreditar em si mesmo. Elogie os seus esforços e faça-o sentir-se orgulhoso de si mesmo pelas pequenas vitórias. Isto vai reforçar a sua Inteligência Emocional. Explique-lhe a importância da educação para a sua vida futura, para aquilo que ele poderá alcançar se quiser – o céu é o limite! (exceto se ele quiser ser astronauta, aí não há mesmo limites).
  5. Motive-o a envolver-se em clubes e desportos – a maioria das escolas e centros educativos oferece várias opções de atividades extra-curriculares, algumas até gratuitas. Estes momentos podem ser muito benéficos para fortalecer amizades e desenvolver competências que completam a sua educação, inclusive a sua  Inteligência Emocional. E são uma excelente alternativa a ficar as tardes a ver televisão ou jogar computador. Explore as opções com ele e motive-o a experimentar coisas novas, dentro daquilo que ele mostra interesse. No entanto, evite preencher 100% do tempo livre do seu filho com atividades, deixe espaço para estar com ele e relaxar em família!

 

Com estas 5 dicas, que não pedem um grande esforço nem muito tempo, poderá fazer uma enorme diferença na vida do seu filho, nesta sua fase de adaptação tão importante! E aumentar o seu nível de Inteligência Emocional, que o vai ajudar ao longo de toda a vida. Vai experimentar? Adorava saber se resultou consigo!

 

Inês Andrade

Visionary Pacifist da No Bully Portugal

 

Para mais questões sobre prevenção e resolução do bullying:

ines@nobully.org

www.nobully.pt