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Possui as Competências do Futuro?

EM: Recursos Humanos.23 JUNHO, 2020
Possui as Competências do Futuro?

Pode não adivinhar o futuro, mas pode preparar-se para ele!

 

Vivemos num mundo em transformação. A tecnologia digital, a automação e a inovação disruptiva introduzem incerteza, complexidade e ambiguidade no nosso dia-a-dia. A globalização e a “network society” alteram a forma como negócios e pessoas se relacionam e interagem.

A dinâmica do mercado de trabalho está consequentemente a sofrer alterações profundas. Em todo o mundo estudos preveem uma redução significativa do número de postos de trabalho, maioritariamente decorrente da automatização e robotização, e alertam para a necessidade de atualização ou mesmo aquisição de novas competências. Portugal não é exceção, de acordo com as conclusões de um estudo divulgado no início do ano transato pela CIP[i], até 2030 haverá uma redução de cerca de 1,1 milhões de empregos decorrentes da automatização de tarefas repetitivas ou de manuseamento de dados e informação, em todos os sectores de atividade. A par da extinção de postos de trabalho novos empregos serão criados, exigindo competências técnicas e comportamentais distintas. Esta alteração do perfil requerido pelas organizações impacta igualmente na própria manutenção do emprego e exigirá de todos nós a atualização e aquisição de novos conhecimentos e competências.

Mas será que basta? O contexto e a velocidade com que as mudanças ocorrem nos dias de hoje fazem com que os conhecimentos e competências valorizados pelas organizações estejam em constante mutação. O que hoje é altamente valorizado dentro de alguns anos simplesmente será ultrapassado por novos requisitos, alguns dos quais não vislumbramos sequer ou para os quais não é atualmente possível nos prepararmos, na medida em que ainda não existem. Este aspeto tem implicações na forma como qualquer profissional deverá encarar a aquisição e desenvolvimento de conhecimentos e competências ao longo da sua vida profissional, ressaltando a importância do desenvolvimento das soft-skills uma vez que elas serão cruciais no futuro para o seu sucesso profissional.

 

Quais as competências necessárias para fazer face aos desafios do futuro?

 

Diríamos que cinco  “skills” são fulcrais:

1. Curiosidade e vontade de aprender

Temos que estar preparados para “aprender, desaprender e aprender de novo” ou seja, tornarmo-nos “adaptative and long life learners”, na medida em que o valor de uma organização assenta cada vez mais na capacidade do seu Capital Humano responder positivamente e continuadamente às solicitações impostas pelos novos contextos. Assim, temos que nos incentivar a continuamente questionar, pensar e a por em causa os nossos próprios conhecimentos e certezas. Vamos aprender com o feedback, a divergência de opiniões, a partilha de experiências e com os nossos próprios erros, não os vendo como um fracasso, mas como uma oportunidade de aprendizagem.   

 

2.Criatividade e Inovação

Num mundo em que a tecnologia nos substituirá nas tarefas mais repetitivas e “enfadonhas”, o valor de uma organização assentará cada vez mais na sua capacidade de diferenciação. Assim, a criatividade e inovação assumirão sem dúvida um papel fundamental, na medida em que o sucesso futuro dos atuais modelos residirá na capacidade das organizações se reinventarem continuamente.

Para inovar há que também reforçar o sentido de propósito individual e organizacional e ter uma mente aberta face a novas ideias, perspetivas e experiências. Não ter medo de errar e de assumir riscos afigura-se igualmente como crítico enquanto traços comportamentais que importa desenvolver.   

 

3. Colaboração

A capacidade de trabalharmos e de resolvermos problemas complexos em colaboração, seja nas atuais estruturas organizativas ou, integrados em equipas de projeto multi-funcionais, assumirão um papel fulcral para as organizações. Importa por isso desenvolver competências de trabalho em equipa e de relacionamento interpessoal. A tendência para uma crescente interação com profissionais de diferentes culturas e gerações reforça a necessidade de desenvolvermos estas últimas competências. A colaboração entre equipas em contexto virtual continuará também a aumentar seja pela globalização ou pelas atuais tendências de equilíbrio entre a vida pessoal e profissional, em que o teletrabalho para muitas Organizações é uma tendência que veio para ficar. 

 

4. Inteligência Emocional e Social

Num mundo cada vez mais automatizado em que a inteligência artificial começa a assumir maior expressão no nosso dia-a-dia, algoritmos e robôs irão facilmente reproduzir certos aspetos da interação humana. Contudo, será mais difícil, pelo menos a curto prazo, identificarem e reproduzirem emoções humanas, bem como reagirem em funções dessas mesmas emoções. Assim, o desenvolvimento da inteligência emocional e social incluindo perceção social, persuasão e negociação assume um papel de relevo, em particular num contexto de maior “achatamento” e agilidade de estruturas organizativas em que as relações funcionais e de projeto se irão sobrepor às relações hierárquicas tradicionais. Esta competência, que tem vindo a assumir um papel de maior relevo em muitas Organizações, irá ser vital no futuro, na medida em que é claramente uma vantagem competitiva da espécie humana face às máquinas.

 

5. Liderança Pessoal e de Equipas

Hoje, e com maior ênfase no futuro, a liderança pessoal e de equipas é uma competência fundamental, em particular se atendermos às atuais tendências de políticas de trabalho flexíveis e de trabalho remoto que a atual crise pandémica veio acelerar. No futuro, os líderes de equipa terão que ter esta competência bastante desenvolvida na medida em que necessitarão de motivar, inspirar, orientar e desenvolver os seus Colaboradores, mesmo quando não estiverem fisicamente no mesmo lugar. Líderes capazes de incentivar as suas equipas a inovar, a assumirem riscos calculados, deixando de parte uma cultura de “penalização” pelo erro irá ser igualmente fundamental para a resolução de problemas cada vez mais complexos e para promover a inovação nas Organizações.

 

Na nossa opinião, é este conjunto de competências que, não sendo facilmente replicáveis por tecnologias de inteligência artificial, irão permitir que atuemos como agentes de mudança e de inovação nas organizações, contribuindo ativamente para o sucesso individual e coletivo.

 

Cabe também às empresas, e em particular aos líderes, despertarem a necessidade e prepararem as suas equipas para adquirirem as competências que no futuro serão imprescindíveis para o sucesso das Organizações.

 

Repensar modelos de competências, mapear competências existentes na Organização, efetuar o (re)skilling de competências dos colaboradores, desenvolver internamente ou simplesmente adquirir competências externas, afiguram-se passos necessários devendo, por conseguinte, fazer parte das “agendas” da(s) área(s) de Gestão de Pessoas.

 

Se a sua Organização se debate com questões, contacte-nos e saiba como o poderemos apoiar nesta transição!

 

Isabel Marques | Senior Manager


[i] Estudo elaborado pela CIP em parceria com a Nova School of Business and Economics e o McKinsey Global Institute (MGI) e divulgado em Janeiro de 2019.