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Porque todas as empresas começaram a investir em sustentabilidade?

EM: Sustentabilidade.17 AGOSTO, 2021
Porque todas as empresas começaram a investir em sustentabilidade?

Da visão estritamente economicista à visão sustentável

“The business of business is business”. Este pensamento, levou a que gestores que demonstrassem outras preocupações que não a prosperidade do negócio, fossem substituídos por outros, a menos que essa preocupação trouxesse alguma vantagem monetária. Segundo o ponto de vista económico da responsabilidade social, liderado por Milton Friedman, prémio nobel em 1976, a responsabilidade dos gestores é apenas de aumentar o valor da empresa para os acionistas.

Esta visão mais economicista do negócio tem vindo contudo a alterar-se nos últimos anos, com autores como Archie B. Carrol, professor na Terry College of business, University of Georgia, que defendem um lado responsável das empresas. Segundo Carroll, a responsabilidade social dos negócios abrange as expectativas económicas, legais, éticas e discricionárias que a sociedade tem das organizações em um determinado momento. O principal argumento é o facto de algumas empresas, como por exemplo a coca-cola, serem mais globais e permanentes que os governos, visto que existem há muitos anos e estão presentes em mais países do que associações governamentais como as nações unidas. Estas empresas devem assim ser fontes positivas para o mundo nas diversas componentes, visto que são uns dos agentes com maior impacto no desenvolvimento sustentável e devem desempenhar o seu papel. Esta visão ganha cada vez maior peso atendendo ao aquecimento global, o aumento da desigualdade social, e a falta de ética de gestão cooperativa, o que pode pôr em causa a capacidade de satisfazer as necessidades de gerações futuras.

 

O que é o ESG?

A sigla ESG surge do inglês “Environmental, Social and Governance” e sintetiza os seus três pilares. Esta sigla tornou-se a referência para as práticas empresariais e de investimento que têm como foco um desenvolvimento sustentável, não tendo, por conseguinte, apenas o lucro como objetivo.

 

Porque é que o ESG é importante?

Com esta visão alterou-se completamente a relação entre empresas e os seus investidores, já que critérios de sustentabilidade passaram a ingressar nos modelos de risco e tornaram-se fatores de investimento, sendo assim consideradas parte da estratégia financeira da empresa.

 

Quais são então os três pilares do ESG?

Sustentabilidade ambiental: Indicam o comportamento da empresa em relação aos problemas ambientais, como as alterações climáticas, a preservação da biodiversidade, a prevenção de poluição e a economia circular. Segundo a revista Forbes, 3 em cada 10 empresas norte-americanas já sofreram impactos operacionais relacionados com desastres climáticos. A escassez de recursos, levando ao aumento de preços de matérias-primas ou falta delas, o aumento do preço de seguros, ou a má reputação ambiental levando à desconfiança dos consumidores, apresentam-se também como riscos associados ao fator ambiental.

Exemplos de sustentabilidade ambiental:

Alguns bons exemplos de sustentabilidade ambiental são empresas como a Auchan com o plástico que é separado nas suas lojas e enviado para um parceiro, para o usar como matéria-prima para a produção de sacos reutilizáveis, que irão assim ser usados pelos clientes várias vezes, até voltarem a ser reciclados.  A Auchan mete assim em prática as normas Reciclar → Produzir → Usar, que são base numa boa prática de economia circular. Também projetos como o Caetano H2.city Gold se destacam no âmbito da responsabilidade ambiental, onde através de uma parceria com a Toyota, apresenta um autocarro completamente 0 emissões, que se move através de uma pilha de hidrogénio, e que já se move em cidades como Cascais.

Sustentabilidade social: Refere-se a problemas de desigualdade, de inclusão, às relações no trabalho, ao investimento nos recursos humanos e nas comunidades, tal como aos direitos humanos. Este pilar, é responsável pela motivação e bem-estar dos colaboradores, garantindo que estão enquadrados com a empresa e com o meio envolvente.

Exemplos de sustentabilidade Social:

Empresas como a Jerónimo Martins já se encontram hoje representadas em programas como o Target Gender Equality da ONU que tem como objetivo que sejam definidas metas ambiciosas para a representação e liderança das mulheres. Também a inclusão de pessoas com deficiência é um tema fulcral nos dias que correm, existindo já legislação sobre o tema tal como a Lei n.º 4/2019 que “estabelece um sistema de quotas de emprego para pessoas com deficiência, com um grau de incapacidade igual ou superior a 60 %, visando a sua contratação por entidades empregadoras do setor privado e organismos do setor público” para empresas “com um número igual ou superior a 75 trabalhadores e às grandes empresas”. Existem também iniciativas como o Inclusive Community Forum, apoiado pela Nova SBE e por 24 empresas como a Brisa e a Microsoft que promovem a inclusão e a mudança de mentalidade em relação ao emprego de pessoas com deficiência. Por fim a preocupação com uma boa gestão de Work Life Balance é algo muito valorizado nos dias que correm, sendo que o trabalho remoto facilitou, por um lado, a flexibilidade dos trabalhadores, mas também trouxe a dificuldade de separar a vida pessoal e vida profissional, algo que tem prejudicado bastante os jovens.

Governance: Inclui os problemas relacionados com a estrutura de governação, as remunerações e avaliações dos executivos e na forma como comunicam com os colaboradores. Tem um papel fundamental no processo de decisão sobre os aspetos sociais e ambientais. Este pilar é responsável por definir toda a estratégia da empresa, e por garantir que a empresa demonstra um propósito que todos os colaboradores estejam prontos a seguir e que procure garantir a melhor qualidade possível a todos consumidores e clientes.

Exemplos de Governance:

Alguns bons exemplos de uma Governance são apresentados por empresas como a Caixa Geral de Depósitos, que ao definir uma missão clara com foco na sustentabilidade, criou com esse objetivo um comité de sustentabilidade, que é um órgão consultivo de comissão executiva que supervisiona a gestão e orienta a decisão quanto à definição e implementação da estratégia de sustentabilidade. Além disto foi também implementado uma reavaliação anual da adequação coletiva do órgão de administração e do órgão de fiscalização e individual dos seus membros.

Desta forma o ESG tornou-se num fator de grande impacto na reputação da empresa, independentemente dos seus resultados financeiros, já que hoje estamos perante um cenário em que o propósito de uma empresa e os seus valores são cada vez mais valorizados pelos seus diferentes stakeholders

 

Tendências atuais de sustentabilidade

A sustentabilidade, que se define como a capacidade de satisfação de todas as necessidades existentes de forma a não comprometer as necessidades dos outros, e das futuras gerações, é hoje um ponto fulcral, e existem várias tendências dentro de vários setores.

Energia: Apesar do enorme impacto que o covid-19 teve no mercado energético, com uma diminuição considerável do uso de energia durante os períodos de confinamento, as políticas de recuperação económica deverão facilitar a redução das emissões de carbono, no sentido de chegar ao objetivo do “Zero carbono” até 2050. Além disto, esta tendência pretende também ter impacto positivo ao nível social uma vez que, segundo a European Renewable Energies Federation e a International Renewable Energy Agency, 10 milhões investidos em energias renováveis cria três vezes mais trabalho que 10 milhões investidos em energias fósseis. Para esta missão, existem diretrizes definidas pelos governos como a Resolução do Conselho de Ministros n.º 107/2019 3 – a) que realça a importância de “Descarbonizar a produção de eletricidade, eliminando a produção de eletricidade a partir do carvão até 2030 e prosseguindo com a total descarbonização do sistema electroprodutor até 2050, apostando nos recursos endógenos renováveis;”

Economia e finanças: As agências de rating estão a concentrar-se em incluir de forma mais eficaz fatores ESG na sua avaliação, de forma a ter em conta o seu impacto no desenvolvimento sustentável, para além de valorizarem cada vez mais as alterações climáticas como um risco inerente à empresa. De acordo com um relatório da Allianz Global Investors, existe um interesse forte e crescente por investimentos sustentáveis na Europa. Em Portugal, cerca de 92% dos investidores está interessado em temas relacionados com a sustentabilidade e 87% refere que investiria em fundos com objetivos de desenvolvimento sustentável.

Mobilidade: Grande parte da população vive hoje nas cidades. No entanto, a pandemia levou a que as pessoas repensassem onde gostam de viver e para onde gostam de se movimentar. Segundo um relatório apresentado 24ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 24), em Katowice na Polónia, os transportes contabilizam 22% das emissões globais sendo fulcral a passagem para um mundo com 100% de veículos elétricos. Para esta mudança existem atualmente várias diretrizes como o projeto de lei apresentado que visa a proibição de comercializar veículos ligeiros movidos exclusivamente a combustíveis fósseis a partir de 2035.

Consumo: A mudança para materiais sustentáveis, tem sido um dos temas em maior destaque no âmbito do consumo alimentar, especialmente no que diz respeito à eliminação da utilização de material de plástico de uso único, redução da utilização de sacos de plástico ou utilização de embalagens não recicláveis. Existe também uma preocupação crescente em dar uma segunda vida a vários produtos que deixam de ser vistos como úteis para muitas pessoas. Lojas como a Cash Converters, que é um franchise mundial especializado na venda de segunda mão, são hoje muito populares entre os consumidores.

Produção de alimentos: A inovação de forma a tornar as cadeias de produção de alimentos mais sustentáveis tem sido outra temática importante, com o aumento do número de pessoas a seguir regimes vegetarianos e vegan, reduzindo assim o consumo de carne e derivados, tanto por situações de saúde, como por questões de ética. Com efeito, segundo universidade de Oxford, o consumo de 90g de carne vermelha por dia aumenta o risco de cancro do intestino. Para além disso, grande parte das carnes são provenientes de animais criados para abate e este tipo de cultura é um dos maiores responsáveis pela poluição de lagos e rios, devido à libertação de excrementos dos animais, e um dos principais responsáveis pelo consumo de água. A nível de produção agrícola, verifica-se ainda a primazia de uma produção de monocultura, ou seja, o cultivo de um único produto agrícola, numa determinada área. Este tipo de produção, permite reduzir custos e reduzir o tempo de cultivo, mas é a principal responsável pela exaustão do solo, ou seja, ao esgotamento dos nutrientes existentes nessa área. De forma a combater estes problemas são já hoje usadas na Holanda, novas formas de cultivo, como a agricultura de precisão nas chamadas “fazendas verticais”. Este tipo de agricultura é praticada em estufa, em que, por exemplo, os tomates são cultivados em pequenos sacos de lã mineral, algo que permite um maior controlo dos nutrientes e da água necessária. Este tipo de cultivo consegue assim utilizar menos água e pesticidas que o cultivo em ar livre, tornando-se assim mais sustentável. Segundo Leo Marcelis, professor de horticultura da Wageningen University and Research (WUR), "No futuro, irão existir fazendas verticais que serão tão altas quanto edifícios e que só usarão luz artificial” acrescentando que “isso fará com que agricultura seja completamente independente do clima e completamente confiável.”

 

Porque é que a sustentabilidade é importante para as empresas?

A sustentabilidade é hoje, muito mais do que apenas uma tendência, já que com a preocupação crescente dos jovens sobre estes temas, empresas que não se demonstrem preocupadas e com impacto positivo num desenvolvimento sustentável irão ter dificuldades em atrair e reter colaboradores, fidelizar consumidores e atrair investidores.

Além disto os investidores reconhecem que os fatores ESG poderão influenciar o rumo da empresa no longo prazo, exigindo que estes fatores sejam incorporados nos relatórios anuais da empresa. Com este paradigma, a performance de uma empresa nos fatores ESG irá influenciar a sua avaliação, e poderá aumentar ou diminuir o custo do capital.

Assim, apostar na sustentabilidade da sua empresa apresenta as seguintes vantagens e oportunidades:

Gerar um impacto positivo: Ao ser uma força positiva para a sociedade, para além da melhoria do meio ambiente, que por si só, já é uma vantagem, estará a gerar uma maior confiança dos seus consumidores nos seus produtos.

Fidelizar e aumentar consumidores: Ao ser mais sustentável, a empresa estará a ir de encontro das necessidades dos consumidores, uma vez que estes procuram produtos sustentáveis, socialmente responsáveis e com um maior elevado valor nutricional, tal como produtos com embalagens sustentáveis, tecnologias amigas do ambiente ou de origem biológica. Este facto irá não só ajudar a fidelizar os consumidores como também a angariar novos para a sua empresa.

Atrair e reter Colaboradores: Ser reconhecida como sustentável levará também a encontrar mais potenciais candidatos a trabalhar na empresa e colaboradores mais satisfeitos e comprometidos.

Oferta de produtos inovadores e diferenciados: Adaptados às expectativas de novos clientes e investidores, que procuram novos produtos mais sustentáveis. Uma das formas de criar produtos inovadores e diferenciados, é a economia circular, que substitui o conceito de fim de vida de muitos produtos dando novas vidas, através de redução, reutilização, recuperação e reciclagem de materiais e energia. Além disso, também o recurso a tecnologias inovadoras e amigas do ambiente, são formas de criar produtos diferenciados que vão de encontro às necessidades dos consumidores, como é possível observar ao nível da construção, onde existem hoje planos para a construção “mais verde” como é possível ver nos já existentes blocos de apartamentos, feitos em madeira, na Suécia, onde existe uma disponibilidade massiva deste tipo de material, o que leva a vantagem em termos de custos. Além disso a madeira é também mais leve do que o aço reduzindo os custos de transporte e é mais sustentável devido à quase ausência de desperdícios e diminuta produção de CO2 no seu fabrico.

Acesso mais fácil a financiamento: Com foco nos pilares ESG, a empresa irá ser percecionada como mais sustentável e com menor risco. Assim irá mais facilmente conseguir ter um contacto próximo com investidores e credores, e terá acesso mais fácil a financiamentos para projetos. Esta tendência é sustentada pelo crescimento exponencial de emissão de títulos de divida, correspondentes a projetos sustentáveis e a um crescimento de obrigações sociais em $17.000M na EU.

Menor custo de capital: Visto que uma preocupação com os fatores ESG diminuem os riscos de longo prazo, aumentam a qualidade de governança e melhoram a comunicação com stakeholders e shareholders, a empresa conseguirá mais capital e mais barato.

Vantagem competitiva: Todas estas vantagens em conjunto, farão com que a aposta na sustentabilidade se torne numa vantagem competitiva para a empresa, que se irá assim destacar das restantes, com mais jovens interessados na empresa, colaboradores mais comprometidos, e consumidores mais fiéis, conseguindo também ter um impacto positivo no ambiente.

 

Os principais desafios na visão da sustentabilidade:

Falta de uma definição concreta e comum: Existe ainda uma imprecisão de conceito no que diz respeito à sustentabilidade, devido a intangibilidade de muitos itens dos fatores ESG, o que traz dificuldades às empresas de adotarem estas políticas.

Dificuldade de mensuração de fatores ESG: Alguns fatores são difíceis de mensurar, originando falta de transparência, e de informação credível e comparável, especialmente nos domínios do ambiente e do social, onde por vezes a medição não é tão evidente como em fatores de governance e estritamente financeiros. Assim torna-se também difícil pesar estes fatores em modelos de risco.

Necessidade de curto-prazo:  A necessidade das empresas de apresentarem retorno no curto-prazo, limita o pensamento de sustentabilidade a longo-prazo e de assimilar todos os seus riscos.

Barreiras de desenvolvimento tecnológico: Devido aos custos elevados de pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias, tal como da sua implementação, por vezes a introdução de tecnologias inovadoras e amigas do ambiente são vistas como um risco demasiado elevado.

 

Conclusão

A sustentabilidade é hoje um ponto fulcral para todas as empresas. A mudança depende de cada um de nós, e por isso a Bright Concept implementa várias medidas sustentáveis ao nível do ambiente, do social e do governance e por isso somos uma B Corp. Vamos agora também premiar as empresas que estão a contribuir mais para a sustentabilidade em Portugal e em Angola, em parceria com a empresas 14º graus e Sustentare e assim alargar o âmbito de intervenção na sustentabilidade.

E você o que é que vai fazer este ano para contribuir para a sustentabilidade da sua organização ou da comunidade?

 

Miguel Gomes