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/ Até que ponto os RH devem intervir no design do espaço de trabalho?

Até que ponto os RH devem intervir no design do espaço de trabalho?

Até que ponto os RH devem intervir no design do espaço de trabalho?

O Design do espaço de trabalho impacta na satisfação de várias necessidades e tem fortes implicações nos resultados dos colaboradores. O espaço de trabalho deve transmitir uma experiência de qualidade, ajudar a transmitir a cultura da organização, facilitar a inovação e o trabalho em equipa e passar um sentimento de bem-estar no local de trabalho.  

 

Será que o tipo de escritório afecta de uma forma significativa o desempenho e o engagement dos colaboradores?

 

Esta é a pergunta que os gabinetes de RH estão a esforçar-se para responder. Vejamos primeiro qual o impacto do design do espaço de trabalho nas necessidades atuais das pessoas no trabalho. Tal como as pessoas têm necessidades básicas na vida como a comida e a segurança, as pessoas têm diferentes necessidades no trabalho. A Steelcase propõe uma pirâmide de Necessidade no Escritório onde as necessidades básicas são a tecnologia com o acesso a computadores e a wifi, depois vem a necessidade de variedade de tipos de espaços que suportem diferentes tipos de trabalho, em terceiro lugar vem a permissão para usar espaços informais e no topo estão as necessidades de bem estar físico, cognitivo e emocional. Um estudo que foi feito nesta área revelou que a maioria das organizações só está a satisfazer as necessidade de tecnologia e a permissão para usar espaços informais, ou seja o 1º e o 3º nível de necessidades. As necessidades de variedade de tipos de espaços que suportem diferentes tipos de trabalho e as necessidades de bem estar físico, cognitivo e emocional não estão a ser satisfeitas segundo a maioria dos colaboradores estudados.

 

Pirâmide de Necessidades no Escritório

 

Relativamente à Variedade de espaços que permitam relações pessoais, privacidade e conforto, 53% das pessoas inquiridas diz que não consegue encontrar o tipo certo de espaço. As empresas optam muito pelo open space que é uma organização do espaço interessante para a metade de pessoas extrovertidas e para tarefas que requerem muitas relações pessoais. No entanto esta forma de organizar o espaço dificulta muito o trabalho focado, aumenta a distração e cria muita ansiedade à metade de pessoas introvertidas. Isto não quer dizer que se volte aos gabinetes. Os open spaces devem continuar a existir mas também têm de haver locais com privacidade, sem ruído e livres de distrações.

 

 

O estudo que a Steelcase fez em 17 países revelou que os colaboradores que tinham controle sobre onde e como trabalhavam e eram livres de escolher o tipo de espaço estavam 88% mais engaged no trabalho. Em relação ao Bem estar físico, cognitivo e emocional as pessoas dizem que não estão satisfeitas e as queixas principais são sentirem-se isoladas mesmo quando estão no meio de muitas pessoas e sentirem muita ansiedade – as duas epidemias do Séc XXI. Algumas formas das empresas aumentarem a satisfação dessas necessidades, são:

 

 

A preocupação crescente das empresas em facilitar estes locais de trabalho que ajudam as pessoas a dar o seu melhor tem muito a ver com a guerra do talento que está a levar as empresas mais competitivas a focarem-se em dar experiências aos seus colaboradores com o mesmo grau de qualidade das experiências com os clientes. O espaço físico transmite a cultura da organização quer seja intencionalmente ou não e vai impactar fortemente na atração e retenção de talento. Os RH passam assim a ter uma importância maior e a intervir em áreas novas, tais como a design do espaço de trabalho.

 

Isabel Freire de Andrade | Partner da Bright Concept